sábado, março 13, 2010

O velho papo.

Eu jamais pensei que fosse possível ficar ausente da vida. Então eu viajei. E vi o quanto perdi me mantendo afastada. Perdi a época certa de me formar... Hoje meus amigos estão fazendo pós e eu presa em algum período da faculdade que nem sei bem qual é. Perdi meu emprego e hoje estou sem dinheiro pra comprar as coisas que tanto gosto e me são “necessárias” depois de sete anos literalmente posso dizer que estou fora do mercado de trabalho e junto com isso perdi o poder competitivo. Perdi meu amor próprio e até hoje tava aceitando qualquer pessoa pra ficar ao meu lado. Perdi tanta coisa boa.
Viajar é bom. Como diria um amigo “faz você desacostumar das coisas e enxergar tudo diferente quando volta”.
Estou tentando fazer isso... Mudar o meu modo de ser, de enxergar as coisas, Quero voltar a sonhar. Sonhar, eu nem sabia mais o que era isso. Mas começo a vislumbrar aquilo que havia esquecido. E é tão bom, parece um fôlego a mais. Um fogo que te joga pra frente. Fazendo o passado ficar onde ele deve estar, no passado.
Cansei de ver nuvens

sexta-feira, julho 17, 2009

André

“Nada aconteceu em todos esses anos” é o que diz a letra da música... Subitamente fui tomada pela lembrança do André, eu o adorava. Pelas esquisitices de alguém que vomitava com facilidade, usava pó compacto a ponto de deixar o rosto branco, mas sempre dizia ser leite de colônia, num calor de 40 graus “lá vem o André!” ele era denunciado pelo perfume, tão forte que grudava na roupa da gente quando o abraçávamos, uma vaidade que chegava a ser engraçada pela total falta de jeito, mas eu o adorava principalmente pela doçura... Pelo jeito delicado e divertido de tratar as pessoas. De me tratar.
Sei lá... Era uma amizade sem precedentes e sem ligações externas... Só éramos amigos e muito amigos no serviço e na faculdade, ele estava quase terminando o mesmo curso que eu, Jornalismo.
Fora essa coisa de interromper a conversa pra ir “vomitar rapidinho” ele me parecia uma pessoa normal... Aliás, cada um tem sua mania. Mas uma doença, dessas estranhas que ninguém sabe o que é, o levou embora. Na verdade, me levou embora... André perdeu a memória e junto com ela eu tbm.
Enquanto ele estava doente, eu tentei ir visitá-lo... Mas sabe quando a coisa não funciona? Pois é não consegui. Fiquei acompanhando de fora... Quando me disseram que ele havia perdido a memória eu desisti de ir ao encontro dele. Justamente, por querer preservar a memória que tenho daquela coisinha seca e comprida, de alguém que sempre que me via, vinha logo me beijar a testa e me dar um abraço. É assim que lembro do André. E hoje, principalmente hoje, senti muita saudade.

sábado, julho 11, 2009

Cozinhando com eles...

Cabelo tem vida própria. Ela sempre fora uma ótima cozinheira, aprendeu a arte ainda cedo. Todas as dicas e truques quem lhe ensinou foi o pai. Segurança, organização e higiene, principalmente higiene. Nada de fazer como a avó que, antes de ser proibida de mexer com o alimentos, assoava o nariz nos panos de prato.

Tudo era preparado impecavelmente, mas ela não tinha culpa de ter queda de cabelo... Não, não era culpa dela, é do estresse da vida moderna. E sempre que cozinhava fazia a vistoria de todos os preparados, pra não passar vergonha caso alguma coisa “caísse saísse do normal”.

Manhã de sábado... dia lindo, sol quente e brilhante, tanto que doía. Peixe, e todos os ingredientes para uma moqueca deliciosa.

Prepara, prepara, prepara

Prova, prova, prova

Comemora, comemora, comemo... eca!

Fio enooooooooooorme de cabelo. "Cara isso não é meu não bicho! Tô de touca, tenha dó...peraí, outro fio?"

Mais um. Outro e outro... "Misericórdia!" Não eram só fios aleatórios, era um bolo de cabelo, desses que se tiram de vassouras. Fora isso, a moqueca ficou perfeita. E ninguém notou, afinal de contas ela sempre cuidou muito bem dos cabelos, higiene é tudo.


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